domingo, 15 de fevereiro de 2015

Cenário de correção 3.º teste




 (In http://www.dantemag.com/, acedido em 2/2/2014)

  1. O vagabundo instala-se numa mesa, “a meio” de uma esplanada situada numa avenida, em Lisboa.
  2. Os ocupantes da esplanada começam por mostrar “expressões desaprovadoras” quando veem que o vagabundo se senta na esplanada. Em seguida, a sua aparência e atitude provocam, num primeiro momento, indignação e, num segundo momento, ofensa. Finalmente, o facto de o homem pegar num jornal provoca-lhes uma “recalcada, hedionda raiva”.
  3. O vagabundo não adota as regras e convenções sociais. Satisfaz-se com o que tem, sorrindo “de bem-estar” e lendo um jornal apanhado do chão. Por outro lado, é educado, tratando o empregado com delicadeza, e tolerante, ao dizer “E diga à gerência que os deixe ficar. Por mim, não me importo.”
  4. A adjetivação põe em evidência que, apesar de a sua roupa ser velha e “cheia de remendos”, o homem tinha uma aparência digna.
  5. Enquanto o dístico proíbe a entrada de pessoas com mau aspeto exterior, o homem julga que a gerência se refere a pessoas que, como os restantes ocupantes da esplanada, adotam atitudes agressivas.

6. Resposta livre.


III


1. a. Palava derivada por prefixação
b. Derivação por parassíntese
2.1. a. consumo b. sustento
2.2. Derivação não afixal
3. a. Homens e mulheres - sujeito composto
b. O vagabundo - sujeito simples
c. Sujeito nulo subentendido: o vagabundo
4. a. complemento oblíquo
b. predicativo do sujeito
c. lhe = complemento indireto; a atenção = complemento direto
5.1. a. O rosto do vagabundo tinha sido curtido pelo sol.
b. O vagabundo leu o jornal.
c. A gerência terá sido avisada pelo empregado.


IV
Malala Yousafzai, prémio Nobel da paz 2014





Há um ano, no Paquistão, um homem aproximou-se de uma camioneta escolar e atingiu Malala Yousafzai na cabeça. Nesse dia, ela quase morreu. Tinha 15 anos e andava num liceu feminino de Khushal, Mingora, no Vale do Swat, onde, entre 2007 e 2009, os talibans lançavam o terror, em particular entre as mulheres e as raparigas.


Em 2009, Malala aparecera num documentário da BBC a defender o direito das raparigas a estudar, tornando-se um alvo a abater pelos talibans.

No último ano, Malala foi operada várias vezes no Paquistão e em Inglaterra, para onde se mudou com a família e onde estuda. Apesar da sua juventude, a ativista pela educação tenciona regressar ao seu país e fazer política.

Recentemente,   Malala pediu ao Presidente dos Estados Unidos  que eliminasse o terrorismo no Afeganistão investindo na educação, em detrimento da ajuda bélica.



terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Comentários críticos a "Natal", de Miguel Torga



O conto “Natal”, de Miguel Torga, é um texto que tem uma boa história de base, embora apresente uma escrita confusa.
Acho o mendigo Garrinchas um bom assunto, representando a bondade deste para com a santa (apesar de esta não ser real, mas apenas uma imagem).
Por outro lado, o constante uso de bordões, diminutivos e um estilo descontraído, fazem com que o texto se torne confuso e, principalmente no início, enfadonho. O conto torna-se aborrecido e aquela maravilhosa história de base perde a “magia” que a tornaria esplêndida.
Finalizando, recomendo a leitura desta história apenas às pessoas que gostam deste tipo de escrita, caso contrário acharão o mesmo que eu: uma história arruinada pelo registo de língua.
Laura



O conto “Natal”, escrito por Miguel Torga, contido no livro “Novos Contos da Montanha”, é um conto bastante desinteressante.
Não me desperta qualquer tipo de curiosidade. Posso justificá-lo dizendo que mais de metade do texto se refere a um homem a tentar subir uma montanha. Depois, tudo passa para um cenário religioso, que também não é o tema que mais aprecio. Para exemplificar: a personagem principal, Garrinchas, tenta oferecer parte da sua ceia de Natal a uma estátua que estava dentro de uma igreja.
Concluindo, recomendo este conto a leitores que gostem de perder o seu tempo a ler três páginas de texto sem significado ou qualquer sentido.

Frederico


Na minha opinião, a obra “Natal” de Miguel Torga é – embora um pouco confusa – bastante interessante.
Dado que trata de uma época do ano que aprecio, a obra cativou-me bastante. Contudo, não se trata de uma história típica de Natal em que a família se reúne, trata-se de uma história em que a personagem principal passa o Natal numa capela com Maria e Jesus. A semelhança com a realidade fez com que a história me interessasse, todavia tem um registo de língua um pouco complicado, como nos exemplos “ de estevas e giestas” e “Agora albergar o copo”.
Em suma, o conto é aconselhável, tendo em conta a idade do leitor, mas, devido ao registo de língua, nem toda a gente consegue perceber.
                                                                                                                                                 Maria João


    Na minha opinião, o conto "Natal", de Miguel Torga, é um conto com uma história um pouco triste, que tem como personagem principal Garrinchas, um velho mendigo.
    Este conto é um pouco triste porque, neste caso, e passo a citar:"(...) nem casa nem família(...)" esperavam Garrinchas. Acho o conto muito interessante, porque remata para uma realidade que, infelizmente, muitas pessoas acham que não existe, mas existe, e cada vez se nota mais, que é o facto de muita gente ser pobre e não ter sítio onde comer ou dormir. 
     Também acho que foi muito bem escrito, porque o escritor conseguiu acrescentar palavras ou frases, como por exemplo:"Olarila" e "lá morrer de frio isso vírgula" mais familiares que proporcionam animação sem tornar o conto demasiado popular. 
Para concluir, acho a escolha do título uma escolha muito inteligente, pois trata do tema do Natal, que chama a atenção aos leitores.




 Sofia




Na minha opinião, o conto “Natal” de Miguel Torga é muito interessante, uma vez que aborda o Natal de maneira diferente. Ou seja: normalmente, nos livros que tratam este tema, a personagem principal passa o Natal com a família, mas neste caso não.


Neste conto, o velho Garrinchas passou parte do Natal sozinho, como refere o texto “E a verdade é que nem casa nem família o esperavam”, e esta situação sucede na realidade de muitas pessoas.


A parte que mais me cativou foi que o velho Garrinchas arranjou maneira de não passar o Natal sozinho, e achei muito criativo o facto de a companhia de Garrinchas ser Maria e Jesus.


Concluindo, recomendo esta obra pois é muito cativante, abordando o Natal de uma forma mágica!                          
                                                                                                                     Sara


O título do conto “Natal”, de Miguel Torga, remete para uma realidade que nem sempre se verifica, sendo, neste caso, uma realidade triste e cruel.


         Achei o início um pouco confuso, devido ao uso de expressões que desconhecia, tais como: “ouvidos de mercador à fadiga” e “enxergava”. Penso, no entanto, que a partir de uma certa parte, o autor começa a usar vocabulário mais popular ,do género: “olarila” e “Lá morrer de frio, isso vírgula!”. A história de Garrinchas relata, infelizmente, uma realidade cada vez mais frequente: é uma pessoa que não tem família nem casa e vive das esmolas que lhe são dadas.


         Em suma, não aconselho a leitura deste conto a quem não tenha muito vocabulário.
Mariana


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Moda e literatura I

Andava eu à procura de uma lista de heróis/heroínas da literatura, para uma-coisa-que-eu-cá-sei, quando encontrei esta reportagem de moda, a que não resisti. A sério: não resisti. Assim, se  gostarem, como eu, de Por favor não matem a cotovia, podem vestir-se assim:



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Cenário de correção 3.º teste



(In http://www.dantemag.com/, acedido em 2/2/2014)
I
Versão 1: c, b, a, b, c, a
Versão 2: a, a, a, b, b, a 

II



1. As expressões do texto que provam que o narrador recorda acontecimentos anteriores à narração são “Quando aqui há uns meses (…)”, “Desde que entrei na nossa casa, vinda da maternidade (…)”, “Depois fui crescendo (…)”, “Nessa altura”ou “uma tarde”.


2. O narrador é participante, pois é a personagem principal que narra os acontecimentos na primeira pessoa (“minha mãe", “entrei”, etc.)


3. As personagens são a Mina, a sua mãe, a avó Nani e o Crispim, que é namorado da mãe de Mina.
4.1. O pronome refere-se a Nani e a Crispim.
4.2. Ao declarar que Mina acabava o 9.º ano e ia trabalhar, a mãe lembrou-lhes um “extraterrestre”, isto é, um ser de outro planeta que desconhece a realidade do mundo onde vive. Com efeito, e atendendo à forma como Nina educou a neta, era de esperar que tivesse expectativas mais elevadas (como se comprova na sua afirmação "Sempre pensei que ela fizesse o 12.º ano e depois fosse para Românicas.").
5. Por intermédio de Nani, a Mina contactou desde criança com árias de ópera, temas musicais, banda desenhada, os romances da condessa de Ségur e, mais tarde, romances de amor, quase todos franceses.
6. A coleção de Spirou e do Tintin, que já tinha pertencido à mãe de Mina, dava a impressão de nunca ter sido lida, pois “(…) os álbuns pareciam novos, nem sequer os cantos das páginas virados”.
7. De acordo com Crispim, não se devem virar os cantos das páginas dos livros, para não os danificar.
8. Uma vez que a mãe e o Crispim namoravam há pouco tempo, Mina ainda não o conhecia bem e, como tal, tinha algumas reservas em relação a ele.
9.1 Crispim sugere, como leitura alternativa, os Cinco.
9.2. Resposta livre.
III
  1. a. Brancura/branquíssimo b. esbranquiçar/embranquecer
    1. a. resgate b. denúncia
    2. derivação não afixal
  1. a. Eu (sujeito simples) b. Os médicos e os farmacêuticos (sujeito composto) c. sujeito nulo subentendido (os médicos e os farmacêuticos)
  2. a. predicativo do sujeito b. complemento oblíquo c. lhe = complemento indireto; a medicação = complemento direto
    1. a. Nani educou Mina. b. Romances de amor eram lidos pela jovem. c. O livro John, chauffeur russo terá sido folheado por Crispim com evidente desagrado.
    2. a. por Nani; b. pela jovem; c. por Crispim.
      IV
       



A revista e a personagem“Spirou” surgem em 1938.


Entre as duas Guerras Mundiais, o francês Robert Velter trabalha num transatlântico, onde conhece o desenhador e argumentista norte-americano Martin Branner, com quem trabalha nos Estados Unidos. Regressa a França em 1936, iniciando uma carreira na banda desenhada.


Em 1938, o editor belga Jean Dupuis convida-o a criar uma personagem para uma revista. Surge Spirou e as suas aventuras apelativas. Em 1940 Velter é aprisionado pelos alemães. Durante um ano, Jijé dará continuidade à obra. Velter ainda desenha Spirou entre 1941 e 1943, mas vende os direitos à Dupuis.
Jijé volta a ocupar-se da série até 1946, mas é substituído por André Franquin. Não sendo o criador de Spirou nem do seu esquilo Spip, é este quem a leva ao  apogeu.




Imagem:http://i-cms.linternaute.com/. Texto (com supressões): Carlos Pessoa, in http://static.publico.pt/coleccoes/spirou/paqueteNasceuHeroi.asp, acedido em 20/1/2015.





terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

"Haver", ainda e sempre


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In http://www.mundoeducacao.com/, acedido em 3/2/2015


Nada como um bom momento de televisão para aprender o que a professora de Português repete incansavelmente. Cliquem aqui e poupem-na...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

3.º teste de avaliação

O grupo I será constituído por um exercício de compreensão do oral. O grupo II terá, como ponto de partida, uma narrativa de um autor português do século XX. Como sempre, podem surgir perguntas relacionadas com questões abordadas noutras ocasiões. Por exemplo, as categorias da narrativa, os registos de língua e os recursos expressivos.
Serão questionados acerca
  • dos padrões de formação de palavras complexas
  • dos tipos de sujeitos
  • da frase ativa/passiva
  • das funções sintáticas internas ao grupo verbal






... e farão um resumo.


Para melhor prepararem o teste, deverão fazer  exercícios do caderno de atividades da páginas abaixo indicadas:


pp. 13-17
p. 55-58
pp. 59-67


No fim, podem - e devem - consultar as soluções.
Bom trabalho!




segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

58 rugas na cara



Data-01/01/2060

Moledo, Portugal

Como é que vou começar... já nem consigo contar pelos dedos há quantos anos é que não escrevo em ti.... enfim! Aparentemente já passou mais um ano. Já fiz 58 rugas na cara, eu que dizia a brincar à minha mãe, com esta idade, que ela estava velha. Olha, queria eu estar tão bem conservada como ela quando tinha a minha idade.

A família reuniu-se na casa da minha irmã. Tal como o meu avô, ela queixa-se constantemente que já não tem idade para nos aturar a nós todos, mas a Teresa é a Teresa, diz coisas que nunca pensa, é apenas uma das manias dela, sempre assim foi, pelo menos que eu me lembre. Mas volto a citar: estou velha, a minha mente está completamente rebuscada, embora, pensando bem, sempre fui cabeça de vento, esquecida, fazia sempre tudo no último minuto, mas não me leves a mal, posso ser horrível com nomes, ainda pior com caras, nem sequer vou mencionar quão terrível sou com caras. Mas vozes: isso sim, disso não me esqueço, graças a Deus, senão estaria perdida.

Tudo mudou nestes últimos anos. Como tudo na vida, obviamente, pouco foi para melhor: a taxa de obesidade aumentou bruscamente. Imagina toda a gente a usar os novos aparelhos para tudo... mas eu continuo a ter um fraquinho por escrever (e desenhar) em papel, adoro aquele cheiro da folha, sabes? de livros acabados de comprar e folheados pela primeira vez, os bicos de lápis partidos (de que, se não me engano, já fiz coleção quando eu tinha uns cinco anos... eu era uma criança bem idiota). E o cheiro a queimado produzido pelas borrachas quando se apaga com as pressas! Isso sim, é provavelmente o que me faz continuar a escrever em folhas, e também o facto de não ter o autocorretor em cima de ti (que é bem irritante: eu quero escrever  raro, não rato!).

A sociedade está a ir por água abaixo, as pessoas já não têm aquele gosto de se ajudarem como se tinha antigamente, não se pode confiar nos vizinhos e estamos AINDA mais competitivos... e nem se fala do gosto que agora as pessoas têm de espezinhar o próximo.

Olha, estão a chamar-me para ver o fogo de artifício... vou ter de ir...

            Escrevo em ti mais tarde.
Inês

Resumos 1, 2, 3



Vantagens de praticar desporto

A prática de atividades desportivas acarreta, todos sabem, vantagens de vária ordem. O que muitos não sabem é que também pode ajudar terceiros. Veja-se então o exemplo seguinte: Nova Iorque, um incêndio num terceiro andar e, numa janela, rodeada de chamas e fumo, apertando contra o peito o filho de apenas um mês de idade. Chegam os bombeiros, a situação é crítica, e não há tempo para grandes planos. A mulher, desesperada, lança o filho para a rua, onde será recolhido nos braços de um homem. O herói desta história é um bombeiro de 39 anos, Félix Vasques, que é praticante amador de basebol. Valeu-se da experiência desportiva de apanhar bolas para blocar a criança, salvando-lhe a vida.

118 palavras

Opção 1

Nova Iorque, um incêndio num terceiro andar. Rodeada de chamas e fumo, uma mulher lança o filho para a rua, onde será recolhido nos braços de um bombeiro de 39 anos, que era praticante de basebol. Félix Vasquez valeu-se da experiência desportiva de apanhar bolas para blocar a criança, salvando-lhe a vida.

52 palavras
 
Opção 2
O desporto acarreta vantagens. Veja-se o exemplo: Nova Iorque, um incêndio num prédio. Uma mulher desesperada lançou o bebé de um mês para a rua, onde foi recolhido por Félix Vasquez, um bombeiro e praticante de basebol que apanhou a criança, salvando-lhe a vida.


44 palavras

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Distinção entre o modificador do grupo verbal e modificador do grupo frásico

De forma algo genérica, podemos dizer que a distinção essencial entre modificador verbal e modificador frásico reside no facto de o primeiro fazer parte do predicado e de o segundo ficar excluído dele. Por exemplo:
«Provavelmente, ontem, deixei as chaves do carro em casa da minha mãe.»
No enunciado que aqui proponho, verificamos que o constituinte «ontem» integra o grupo verbal, e «provavelmente», não. Assim, «ontem» deverá ser classificado como modificador verbal, e «provavelmente» como modificador frásico.
A forma mais clara de ensinar a distinguir as duas subclasses de modificador aqui em análise talvez seja recorrer, na linha do já proposto por Carlos Rocha, nesta resposta, a testes de interrogação e de negação. Por princípio, os modificadores frásicos não podem ser negados nem interrogados, ao passo que os modificadores verbais podem (o asterisco indica agramaticalidade do enunciado):
Interrogação:
* «Foi provavelmente que ontem deixei as chaves do carro em casa da minha mãe?»
«Foi ontem que provavelmente deixei as chaves do carro em casa da minha mãe?»
Negação:
«Provavelmente, não ontem, mas hoje, deixei as chaves do carro em casa da minha mãe.»
*«Não provavelmente, mas seriamente, ontem, deixei as chaves do carro em casa da minha mãe.»
(cf. Mateus e outros, Gramática da Língua Portuguesa, p.431 e 686).

(Pedro Mateus, In http://www.ciberduvidas.com/, acedido em 13/1/2015)

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

E eu fiquei lá, a olhar para o céu e a pensar


Hoje era um dia diferente, estava ansioso por acordar, mal consegui dormir, mas havia chegado a hora. Vesti-me, tomei banho, tomei o pequeno-almoço, peguei na mala e deixei a minha bela casa. Eram mais ou menos 7:40 (hora de Nova Iorque) quando cheguei ao aeroporto de Manhattan. Vim de táxi. Entrei no aeroporto, despachei a mala e fui para o local de partida. Esperei aí uns vinte minutos, quando aquela voz feminina chamou os passageiros pela última vez. Mostrei os documentos e meti-me no avião. Só me lembro de me sentar confortavelmente no meu lugar, que era o sessenta e tal, e de olhar para o ecrã e estava a dar aquele vídeozinho de segurança. Depois disso adormeci. Acordei com o piloto a anunciar a hora de chegada e esse tipo de informações. Apesar de já estar habituado, nunca gostei muito de andar de avião.

Saí no Porto e fui de táxi até Braga. Mal reconhecia as autoestradas. Já não havia aquela bomba de gasolina, aquele muro com graffiti, e sempre que eu olhava para o lado via prédios e edifícios, onde outrora viviam árvores e arbustos. O “Continente” já não era o “Continente", agora havia lá um grande pavilhão, de cuja utilização nem desconfio. As ruas e estradas eram parecidas, porém as saídas eram outras e todas iam dar a lugares novos de que não me recordava. Havia mais pontes e túneis. A cada minuto, passávamos por uma ou duas pontes e túneis. À medida que me ia aproximando do centro da cidade, o tamanho dos prédios ia aumentando. Todas as velhas casas que havia deram lugar ou a escolas, ou àqueles pavilhões que não sabia o que eram. O chafariz tinha sido tapado e já não atirava água às pessoas.

O táxi deixou-me mesmo ali, à beira da Sé, que, com buracos nas paredes, ainda ia resistindo. Tentei ir a pé para a minha antiga casa, mas acabei por me perder, pois já não reconhecia as ruas e avenidas. Consultei o meu “tablet”, fui àquela aplicação própria da cidade de Braga, que dizia as ruas e dava várias informações sobre a cidade, e pesquisei: “Rua Engenheiro Justino Amorim”. Aquilo abriu um mapa que continha as indicações e fui lá ter. Fiquei imensamente feliz ao ver o parque onde brinquei toda a minha infância. Estava quase igual, só que com mais cavalinhos, baloiços e escorregas. Olhei para o outro lado e vi um prédio alto e branco. Provavelmente seria aí o meu prédio antigo. Não liguei muito e fui para o parque e sentei-me num dos baloiços. Já eram quase oito horas da noite, e eu fiquei lá, a olhar para o céu e a pensar: “Eu quero morrer aqui”.

Tomás

domingo, 11 de janeiro de 2015

Guardar cada memória, cada pensamento

 4 de abril de 2060
Querido diário,
Hoje faço 59 anos. A maioria das pessoas acha que sou velha demais para escrever num diário. Eu acho o contrário: é uma maneira de guardar cada memória de cada pensamento das nossas vidas.
Faz também 36 anos que me mudei para *****, a minha terra natal. Quando vim para cá, já não me lembrava de quase nada, apenas da casa onde morei. Ainda hoje, quando passo por lá, dá-me uma certa mágoa ver aquela casa a cair de velha. Faz-me lembrar a minha infância. Apesar de não saber escrever naquela altura, ainda me lembro de muitos momentos. É uma das poucas coisas de que me lembro sem estar escrito num dos diários antigos que tenho guardados desde pequena.
Agora é tudo tão diferente… casei-me, tenho três filhos; duas raparigas e um rapaz. São o meu orgulho…Daqui a alguns anos vou para a reforma. E espero chegar a tempo de poder tomar conta dos meus netos que, em princípio, irão nascer em breve. Pelo que sei, são gémeos. Ainda não se sabe se são rapariga ou rapaz.
Neste momento não posso pensar no passado, mas sim no futuro e no presente, o qual tenho que aproveitar ao máximo, porque ainda tenho muito para viver.


2060: o prazer da condução


Braga, Portugal, 26 de fevereiro de 2060
Quarta-feira
 
       Querido diário:
      
       Hoje é o dia dos meus anos. Odeio este dia! Antigamente, em 2014, os dias de anos eram divertidos e reunia-se a família toda. Agora é tudo por «voice mail», já não há o divertimento que havia antes. Agora, até os filhos são diferentes: já não vão à escola e não lidam com outras crianças, pois só têm que clicar num botão e ficam a saber tudo. Já não há alegria nas crianças.
       Hoje de manhã levantei-me, fui dar beijinhos aos meus filhos e um à minha mulher, tomei o pequeno-almoço e fui trabalhar. Ironicamente, no trabalho é onde eu me divirto mais, pois estou com colegas e amigos.
       Mas os dias, aqui em 2060 até são agradáveis, pois adoro conduzir o meu carro voador até ao trabalho ou quando vou dar uma volta com a minha família. Adiante: quando acabei de trabalhar, por volta das 18:00, vim para casa, comemos o bolo de anos, recebi as prendas, falei com a minha mãe e irmãs e depois ficamos todos a ver um filme (as televisões de agora não têm nada a ver com as de 2014).
       Viver em 2060 é bom, pois esta tecnologia toda é boa, mas ainda assim continuo a preferir 2014...
 
Ricardo

Braga: antevisão do futuro


Meu diário,

Voltei hoje, dia 24 de novembro de 2060, à cidade onde passei a minha infância, Braga. Está tudo diferente do que me lembrava de 2014.

Voltei à minha casa. Só se via musgo e ervas a taparem a entrada, notava-se bem as diferenças entre esta e a dos vizinhos: na minha, tudo velho e sujo, portões e paredes. Na dos vizinhos, parecia que acabara a imaginação, a mesma fachada em todas as casas rua abaixo, tudo limpinho e materiais novos. Confesso que fiquei desiludido. A minha casa nova em nada se comparava com esta. Tudo o que para mim era inovador na altura, era agora velho e feio. Fui também ao meu antigo prédio, que tinha sido remodelado. Fiquei surpreendido por lhe terem aumentado 20 andares, pois no tempo em que eu lá morava só tinha cinco, e agora estava com 25 andares.A cidade nem parecia a mesma. Todos os prédios tinham no mínimo 20 pisos, algo que nem era o máximo em 2014.
O trânsito é agora uma confusão: viadutos e via rápidas em tudo quanto é sítio, só filas e filas de carros nas horas de ponta. Quase sem espaços verdes na zona urbana, a população tem de se mover para as áreas periféricas para respirar ar puro, algo que não acontecia antigamente, pois não havia falta de espaços verdes. Consequentemente, todos os parques, como a rodovia e o campo de jogos, ficaram reduzidos a pavilhões fechados, o que me transtornou imenso. Todavia, há mais pessoas a viver em Braga e a cidade está muito bem desenvolvida, com tecnologia de ponta e com boas infraestruturas. Prova disso, uma nova autoestrada que liga a cidade ao seu novo aeroporto, que foi inaugurado em 2050.      

Contudo, acho que fiquei decepcionado com o regresso a Braga, pois esperava um melhor equilíbrio em espaços verdes no centro da cidade, prejudicando a saúde dos seus habitantes. Concluindo, Braga podia ter uma melhor organização política para evoluir ainda mais.

Bernardo

Sempre igual, sempre diferente


15 de agosto de 214

 Querida Sky

 Estes dias que tenho passado em Viseu com uns amigos dos meus pais têm sido incríveis. Eles são um casal, Sandra e Paulo, e têm um filho da minha idade que se chama João Miguel. Hoje acordámos às 11:45. Nós (eu, o João Miguel e os meus irmãos) dormimos todos no mesmo quarto. Quando nos arranjámos, fomos almoçar com os nossos pais. Passei a tarde a vê-los a jogar computador até às 16:00 e depois fui para o jardim, que tem uma mesa e bancos de mármore onde estavam os nossos pais a conversar.

 À noite, por volta das 19:00, fomos à feira. Vimos cá todos os anos, mas é sempre diferente. Na entrada havia um enorme "placard" luminoso que dizia: Feira de São Mateus, mas o que achámos engraçado foi o painel interativo que havia na entrada e pusemo-nos a tirar fotos. Quando entrámos fomos direitos a um pavilhão enorme e estivemos por lá uma hora. O meu pai pôs-se a falar com uns homens que lá encontrou. Depois andámos numas diversões que lá havia, como as montanhas russas, mas eu gostei mais do cinema em 6D. No final comemos cachorros quentes e os nossos pais beberam ginja e copos de chocolate. Eu provei e adorei! Quando viemos embora, a Sandra contou-me uma história de quando ela se embebedou na festa de finalistas do curso dela. Agora em casa, despeço-me porque estou com sono.

 Adeus,

Ana

Um dia inquietante


Braga, 17 de maio de 2013
Querido amigo,


Hoje de manhã, estava em casa a ver um programa de televisão, que até estava a ser divertido e de que eu estava a gostar, só que, de repente, senti uma grande dor de cabeça. No início, continuei calmamente a ver televisão, mas a dor não parava e era cada vez mais forte. Achei que talvez fosse melhor falar com os meus pais. Eles acharam melhor ir ao hospital para ver de que se tratava.
Depois de duas horas à espera, fomos atendidos. O médico mediu-me a tensão arterial e o batimento cardíaco e disse-nos que estava tudo bem e que não percebia a que se devia aquela dor forte. Deu-me um comprimido e, passado meia hora, fiquei bem. Agora estou em casa a contar-te o que aconteceu! Hoje foi um dia que não quero voltar a repetir porque, apesar de agora estar tudo bem, passei momentos de grande sofrimento e preocupação.
Agora já é tarde e eu tenho que ir dormir.
Boa noite!


Filipa

Um dia trepidante


24 de novembro de 2014, em casa

Querido diário,

Hoje foi um dia importante na escola, pois tive teste de Português e audição de piano. Mas não só. Comecei com natação. Avaliação! Não estava muito confiante, pois nadar de manhã com água fria não é “a minha praia”. Mas tudo correu bem, lá na piscina. Já na escola, tive teste de Português. Não é que não tivesse estudado, mas depois de ver que tinha de planificar o texto, pensei “Agora é que vão ser elas…” Juntando isso a uma confusão aqui e ali e lá se ia uma boa nota… mas, mais uma vez, consegui ultrapassar o “problema” sem complicações. Não interessa o que almocei (comida de cantina). A minha tarde foi, digamos, sossegada. Muito tempo livre, que aproveitei para estudar para a audição. Agora que penso nisso, não foi assim tanto tempo a estudar, foi… algum. Depois da aula de coro (que acabou uma hora e meia antes da audição) apareceu a minha professora de piano a dizer para nos irmos preparra para a audição. Quando esta começou, depois de tanto estudo, ainda me podia esquecer de alguma parte. Mas toquei bem, e os meus pais gostaram.

Resumindo, foi um dia que me surpreendeu pela positiva.

João Paulo

sábado, 10 de janeiro de 2015

Um mesmo olhar sobre as coisas

Hoje, como não aconteceu nada de interessante, decidi comparar o mundo de 2014 e o de 2060.
Em 2014, eu tinha 12 anos. Gostava muito dos gadgets da altura, como os tablets, as PlayStation, a televisão.
Mas agora já não dou muita importância a isso. Importo-me mais com a minha carreira de trombonista e com a minha família. Também pode ter a ver com o facto de agora não precisar destes aparelhos todos. Agora só uso os meus óculos X100, que têm toda a tecnologia de que preciso.
Agora já há muito pouca poluição, ao contrário do que acontecia em 2014, quando usávamos combustíveis para andar nos automóveis. Atualmente usamos a água poluída para os fazer andar. Depois de a usarmos, ela evapora-se e continua o seu ciclo hidráulico. Por isso não a gastamos. Quanto à camada de ozono, já foi reequilibrada para o seu ponto ideal. Reequilibrámo-la de 10 em 10 anos. Agora só em 2070. O cinema, em 2014, era pouco avançado. Tínhamos de nos deslocar lá para ver um filme que tinha saído há pouco tempo e só passado um mês é que o podíamos ver na televisão.
Agora toda a gente tem o seu cinema em casa, com os filmes mais recentes e atualizados.
Usamos o teletransporte para darmos a volta ao mundo num segundo. Antes tínhamos de fazer várias viagens, com preços altíssimos.
Bem, o mundo de hoje não é o que era. Mudou. E apesar de ter 59 anos, tenho o mesmo olhar sobre as coisas. E daqui em diante não vai ser igual. ''Cada vez que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida nas mãos de um criança''.

José João