Hoje era um dia diferente, estava ansioso por acordar, mal consegui
dormir, mas havia chegado a hora. Vesti-me, tomei banho, tomei o
pequeno-almoço, peguei na mala e deixei a minha bela casa. Eram mais ou menos
7:40 (hora de Nova Iorque) quando cheguei ao aeroporto de Manhattan. Vim de
táxi. Entrei no aeroporto, despachei a mala e fui para o local de partida.
Esperei aí uns vinte minutos, quando aquela voz feminina chamou os passageiros
pela última vez. Mostrei os documentos e meti-me no avião. Só me lembro de me
sentar confortavelmente no meu lugar, que era o sessenta e tal, e de olhar para
o ecrã e estava a dar aquele vídeozinho de segurança. Depois disso adormeci.
Acordei com o piloto a anunciar a hora de chegada e esse tipo de informações.
Apesar de já estar habituado, nunca gostei muito de andar de avião.
Saí no Porto e fui de táxi até Braga. Mal reconhecia as autoestradas.
Já não havia aquela bomba de gasolina, aquele muro com graffiti, e sempre que
eu olhava para o lado via prédios e edifícios, onde outrora viviam árvores e
arbustos. O “Continente” já não era o “Continente", agora havia lá um
grande pavilhão, de cuja utilização nem desconfio. As ruas e estradas eram
parecidas, porém as saídas eram outras e todas iam dar a lugares novos de que
não me recordava. Havia mais pontes e túneis. A cada minuto, passávamos por uma
ou duas pontes e túneis. À medida que me ia aproximando do centro da cidade, o
tamanho dos prédios ia aumentando. Todas as velhas casas que havia deram
lugar ou a escolas, ou àqueles pavilhões que não sabia o que eram. O chafariz
tinha sido tapado e já não atirava água às pessoas.
O táxi deixou-me mesmo ali, à beira da Sé, que, com buracos nas
paredes, ainda ia resistindo. Tentei ir a pé para a minha antiga casa, mas
acabei por me perder, pois já não reconhecia as ruas e avenidas. Consultei o
meu “tablet”, fui àquela aplicação própria da cidade de Braga, que dizia as
ruas e dava várias informações sobre a cidade, e pesquisei: “Rua Engenheiro
Justino Amorim”. Aquilo abriu um mapa que continha as indicações e fui lá ter.
Fiquei imensamente feliz ao ver o parque onde brinquei toda a minha infância.
Estava quase igual, só que com mais cavalinhos, baloiços e escorregas. Olhei
para o outro lado e vi um prédio alto e branco. Provavelmente seria aí o meu
prédio antigo. Não liguei muito e fui para o parque e sentei-me num dos
baloiços. Já eram quase oito horas da noite, e eu fiquei lá, a olhar para o céu
e a pensar: “Eu quero morrer aqui”.
Tomás