Meu diário,
Voltei hoje,
dia 24 de novembro de 2060, à cidade onde passei a minha infância, Braga. Está
tudo diferente do que me lembrava de 2014.
Voltei à
minha casa. Só se via musgo e ervas a taparem a entrada, notava-se bem as
diferenças entre esta e a dos vizinhos: na minha, tudo velho e sujo, portões e
paredes. Na dos vizinhos, parecia que acabara a imaginação, a mesma fachada em
todas as casas rua abaixo, tudo limpinho e materiais novos. Confesso que fiquei
desiludido. A minha casa nova em nada se comparava com esta. Tudo o que para
mim era inovador na altura, era agora velho e feio. Fui também ao meu antigo
prédio, que tinha sido remodelado. Fiquei surpreendido por lhe terem aumentado 20
andares, pois no tempo em que eu lá morava só tinha cinco, e agora estava com
25 andares.A cidade nem
parecia a mesma. Todos os prédios tinham no mínimo 20 pisos, algo que nem era o
máximo em 2014.
O trânsito é agora uma confusão: viadutos e via rápidas em tudo
quanto é sítio, só filas e filas de carros nas horas de ponta. Quase sem
espaços verdes na zona urbana, a população tem de se mover para as áreas
periféricas para respirar ar puro, algo que não acontecia antigamente, pois não
havia falta de espaços verdes. Consequentemente, todos os parques, como a
rodovia e o campo de jogos, ficaram reduzidos a pavilhões fechados, o que me
transtornou imenso. Todavia, há mais pessoas a viver em Braga e a cidade está
muito bem desenvolvida, com tecnologia de ponta e com boas infraestruturas.
Prova disso, uma nova autoestrada que liga a cidade ao seu novo aeroporto, que
foi inaugurado em 2050.
Contudo,
acho que fiquei decepcionado com o regresso a Braga, pois esperava um melhor
equilíbrio em espaços verdes no centro da cidade, prejudicando a saúde dos seus
habitantes. Concluindo, Braga podia ter uma melhor organização política para
evoluir ainda mais.
Bernardo
