segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

E eu fiquei lá, a olhar para o céu e a pensar


Hoje era um dia diferente, estava ansioso por acordar, mal consegui dormir, mas havia chegado a hora. Vesti-me, tomei banho, tomei o pequeno-almoço, peguei na mala e deixei a minha bela casa. Eram mais ou menos 7:40 (hora de Nova Iorque) quando cheguei ao aeroporto de Manhattan. Vim de táxi. Entrei no aeroporto, despachei a mala e fui para o local de partida. Esperei aí uns vinte minutos, quando aquela voz feminina chamou os passageiros pela última vez. Mostrei os documentos e meti-me no avião. Só me lembro de me sentar confortavelmente no meu lugar, que era o sessenta e tal, e de olhar para o ecrã e estava a dar aquele vídeozinho de segurança. Depois disso adormeci. Acordei com o piloto a anunciar a hora de chegada e esse tipo de informações. Apesar de já estar habituado, nunca gostei muito de andar de avião.

Saí no Porto e fui de táxi até Braga. Mal reconhecia as autoestradas. Já não havia aquela bomba de gasolina, aquele muro com graffiti, e sempre que eu olhava para o lado via prédios e edifícios, onde outrora viviam árvores e arbustos. O “Continente” já não era o “Continente", agora havia lá um grande pavilhão, de cuja utilização nem desconfio. As ruas e estradas eram parecidas, porém as saídas eram outras e todas iam dar a lugares novos de que não me recordava. Havia mais pontes e túneis. A cada minuto, passávamos por uma ou duas pontes e túneis. À medida que me ia aproximando do centro da cidade, o tamanho dos prédios ia aumentando. Todas as velhas casas que havia deram lugar ou a escolas, ou àqueles pavilhões que não sabia o que eram. O chafariz tinha sido tapado e já não atirava água às pessoas.

O táxi deixou-me mesmo ali, à beira da Sé, que, com buracos nas paredes, ainda ia resistindo. Tentei ir a pé para a minha antiga casa, mas acabei por me perder, pois já não reconhecia as ruas e avenidas. Consultei o meu “tablet”, fui àquela aplicação própria da cidade de Braga, que dizia as ruas e dava várias informações sobre a cidade, e pesquisei: “Rua Engenheiro Justino Amorim”. Aquilo abriu um mapa que continha as indicações e fui lá ter. Fiquei imensamente feliz ao ver o parque onde brinquei toda a minha infância. Estava quase igual, só que com mais cavalinhos, baloiços e escorregas. Olhei para o outro lado e vi um prédio alto e branco. Provavelmente seria aí o meu prédio antigo. Não liguei muito e fui para o parque e sentei-me num dos baloiços. Já eram quase oito horas da noite, e eu fiquei lá, a olhar para o céu e a pensar: “Eu quero morrer aqui”.

Tomás

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