sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A cápsula do tempo da Margarida


                                                                                                                                                


(Fonte: http://www.ideiasereceitas.com/, consultada em 2/12/2014)



10 de maio de 2060

                                                                                                                                              Braga, Portugal

 

Querido Diário :

Hoje não conseguia dormir porque só conseguia pensar em como se  vivia antigamente. Por isso tive a ideia de escrever em ti, para depois  fazer uma cápsula do tempo, porque queria que as futuras gerações portuguesas  tivessem ideia de como se vivia antigamente.
Tenho saudades de ser nova, sabes ? Tenho saudades de comer o arroz de pato saboroso que a minha avó fazia, e principalmente do pudim de chocolate que se derretia na boca e só dava vontade de comer mais. Hoje em dia a comida não presta. São estes comprimidos  farinhentos, cheios de aromas, que na realidade não sabem a nada e só servem para não se morrer à fome.
 Nos velhos dias nós queixávamo-nos da crise, mas não tínhamos noção da sorte que  tínhamos por ainda  viver em democracia. Não devia estar a falar sobre isto, mas a ditadura de Salazar, de que se falava quando eu era pequena, era, provavelmente, muito melhor do que a ditadura de hoje, a ditadura de José Freitas. Isto aqui está tão mal que mais de metade do país  fugiu para Marte ilegalmente. Eu fiquei aqui porque, se fugisse, ficava sem memórias  nenhumas do passado.
 Já se extinguiram imensas  espécies de animais,  já há  robôs para quase  tudo…                                                                      
Quem me dera voltar atrás no  tempo. Infelizmente, ainda não inventaram as máquinas do tempo, mas quando as inventarem, podes  ter a certeza de que  vou ser a primeira  a experimentá-las.

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